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| 13 Março 2008 |
| Sentidos de Lisboa |
| Seis histórias em torno do amor, da sua prática ou da sua impossibilidade, e que decorrem durante uma mesma noite, igual a tantas outras, em vários locais da cidade de Lisboa? Radicado em Nova Iorque, o realizador Bruno de Almeida é já um nome seguro no panorama audiovisual português, destacando-se pelos seus trabalhos de registo documental sobre Amália, que foi exibido na televisão portuguesa. Regressando à ficção, mais de uma década depois de "Em fuga", entretece um puzzle de histórias que no seu todo nos dão um panorama realista sobre a vida triste ou alegre, trágica ou esperançosa. |
Dmitry Bogomolov em «The Lovebirds» |
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Um exercício elegante e profundo, provando uma vez mais, se ainda fosse necessário, que o segredo está na procura e na descoberta, na fidelidade ao que se tem dentro de si, na recusa da facilidade. Quem conhece os restantes trabalhos de Bruno de Almeida, como os capitais e definitivos ensaios sobre Amália Rodrigues, sabe que o realizador domina a câmara e a linguagem, que só fala do que sabe e conhece, mas aí põe tudo de si. Desta vez, e como sempre na sua ficção, é da vida que se trata. Seja um homem que encontra alguém que lhe faz lembrar a falecida esposa e encontra uma família tão distinta do meio a que pertence, mas tão viva e tão genuína, um arqueólogo que não encontra motivação para abandonar as escavações e regressar ao mundo exterior, ou um realizador - fabulosa homenagem a Fernando Lopes e ao seu "Belarmino" - que tem de tirar do seu actor o que de melhor ele tem, mesmo à custa da sua sobrevivência física. Filme singelo, mas que tanto nos toca, "The lovebirds" foi rodado num tempo mínimo e sob encomenda do Lisbon Village, o festival de cinema digital cuja segunda edição decorreu no ano passado. Cinema de um português, mesmo que capte os sentidos de Lisboa vistos de fora, feito com portugueses, mas não só, e sobre nós, em particular os que habitam na capital - ou nas muitas "aldeias" que se escondem nesta cidade, "The lovebirds" é uma pérola no nosso meio cinematográfico que nenhum cinéfilo se pode dar ao luxo de perder. João Antunes Copyrigth Jornal de Notícias |